Forças Armadas: pilar histórico e moral da sociedade

por Edgard Leite (Diretor do Instituto Realitas)



O Brasil possui uma história muito particular.


Aqui, o espírito “conservador e prudente” do povo (nos dizeres de Oliveira Viana), sempre se impôs, de uma forma ou de outra, às paixões políticas exasperadas e inconsequentes de algumas minorias.


Dessa maneira, nunca tivemos revoluções e guerras civis devastadoras, como outros povos do nosso continente tiveram.


Nossa marcha para a Independência foi um movimento mais sentimental que vingativo ou ressentido. Refletindo sentimentos de lealdade ao soberano, ou cautela diante da possibilidade de uma desagregação social que seria prejudicial para todos.


Uma das consequências disso é que não tivemos, como em outros países, durante o processo de independência, o surgimento de forças armadas motivadas pelo ódio ou pelo sentimento de vingança ou reparação.


As guerras que o Estado brasileiro moveu nos primeiros decênios da nossa independência foram ações reativas, onde sempre se sobressaíram, para além dos interesses do Estado e da sociedade brasileira, preocupações ordenadoras amplas e causas humanitárias. Isto é, questões morais.


Tropas brasileiras lutaram no Uruguai e na Argentina contra o ditador argentino Juan Manuel de Rosas (1793-1877) entre 1851 e 1852, tendo exercido um papel ordenador e contribuído para estabilizar a região. Mas não dominamos aqueles territórios.


No entanto, algo extraordinário ocorreu entre 1864 e 1870.


Naqueles anos o Brasil foi forçado a entrar numa guerra de grandes proporções. Não apenas para estabilizar suas fronteiras ou contribuir para a ordem regional. Mas para preservar sua integridade territorial e proteger seu povo.


O Paraguai, controlado pelo ditador Solano Lopez (1827-1870), invadiu o Brasil, em dezembro de 1864. Cometendo atrocidades diversas. Seu objetivo era tomar grande parte do Pantanal e todo o sul do nosso território.


O que aconteceu, a partir daí, foi um acontecimento único em nossa história.


Toda a sociedade brasileira se mobilizou. Não foi nada parecido com os conflitos pontuais com Portugal, nem com as intervenções no Uruguai e na Argentina (onde lutaram, aliás, nas forças brasileiras, muitos mercenários estrangeiros).


Na Guerra do Paraguai lutaram apenas os brasileiros.


Tratava-se, em 1864, de uma ameaça real e total, não apenas ao território e povo brasileiros. Mas também contra o próprio papel que o Brasil exercia na região, isto é, de força moderadora e estabilizadora.


De todos os lugares, de todas as etnias e de todas as camadas sociais, apresentaram-se voluntários para enfrentar o Paraguai. Numa sociedade escravista, a experiência da Guerra do Paraguai uniu a todos, brancos, índios, negros, livres e escravos, movidos pelo desejo da liberdade. Liberdade de existir, enquanto brasileiros.


O Exército brasileiro foi a instituição que recebeu esse anseio e o realizou, militarmente. Se não tivemos uma revolução contra o Rei, tivemos, no entanto, uma grande e profunda mobilização contra o ditador paraguaio, Solano Lopez.


E esse movimento, vitorioso, transformou para sempre o Brasil.


Porque a partir daquele momento o Brasil pode entender que existia, e tinha uma causa nacional a ser preservada. E o Exército brasileiro consagrou-se como o líder, fiador e realizador dessa causa.


Isso estabeleceu o Exército brasileiro (e as Forças Armadas como um todo), como principal força institucional e moral da sociedade brasileira.


Nos momentos finais do Império, quando a crise era evidente, o Exército brasileiro ocupou esse espaço da liderança moral. E o silêncio diante da derrubada do Imperador demonstrava a confiança da sociedade no papel dirigente do Exército e da Marinha.


As Forças Armadas nunca deixaram de ser essa representação da autonomia nacional, da unidade, dos anseios de existência e de liberdade dos brasileiros.


E a sociedade sempre os viu assim. Apoiada amplamente pelo povo, enviou uma Força Expedicionária para lutar na Europa, durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Foi para as Forças Armadas que a sociedade voltou-se em momentos políticos internos graves, 1930, 1945, 1964 e, novamente, em 2018.


O papel das Forcas Armadas como intérpretes dos interesses nacionais é evidente. Benjamim Constant Botelho de Magalhães (1836-1891), Ministro da Guerra no primeiro governo provisório da República (1889-1890), afirmou certa vez que:


A “causa do Exército” é a “santa causa do progresso material e moral de nossa Pátria, do qual foi ele, e será sempre, a mais digna, a mais eficaz e a mais sólida garantia”.


Essa relação é íntima e consistente, de forte dimensão histórica. Em 2019, o Instituto DataFolha apurou que 42% dos brasileiros "confia muito" nas Forças Armadas, e 38% simplesmente confia.


As Forcas Armadas são, de fato, o mais importante pilar da nacionalidade, tanto do ponto de vista histórico quanto do ponto vista moral.


Consagradas desde a Guerra do Paraguai, elas nunca se opuseram ao povo. Ao contrário, sempre estiveram ao seu lado.


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